​Neste sábado (12), ​Fluminense e ​Bahia se enfrentam no Maracanã, partida importante de ser monitorada por envolver um clube que luta contra a queda e outro que busca vaga no G-6. Além do aspecto classificatório, o duelo entre tricolores carrega um simbolismo importante pelos dois protagonistas que estarão nas áreas técnicas: Marcão e Roger Machado, os únicos treinadores negros entre os 40 em atividade nas Séries A e B.


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Como destaca o ​UOL Esportes, os dois foram companheiros de equipe no próprio Fluminense, lá no ano de 2006, o último de Marcão enquanto atleta tricolor. Roger Machado seguiu nas Laranjeiras no ano seguinte, sendo protagonista do time na conquista da Copa do Brasil. Conectados por um clube, mas também pelas origens humildes e pela cor da pele, os dois técnicos sabem que são exceções e têm um desejo em comum: que essa realidade mude.


"Acho que isso é um marco, estar eu com o Roger nesse momento e, espero que seja uma tendência daqui para a frente. Torcemos por isso. (...) Sempre foi visando a capacidade técnica, como deve ser. Eu não estou pedindo aqui que tenha só negros no comando dos times de Série A ou B, eu peço apenas que deem chance para os capacitados. Nada mais que isso", afirmou.

Marcao

Marcão ainda trilha os primeiros passos enquanto treinador profissional, enquanto Roger já soma maior rodagem na elite brasileira, tendo passado por Grêmio, Atlético-MG e Palmeiras antes de chegar ao Esquadrão. O futebol para Roger, no entanto, não era o sonho primário: foi a alternativa, já que a carreira vislumbrada na infância não parecia lhe contemplar.


"Esse meu lugar na elite do futebol brasileiro já é um lugar de resistência. Permanecer aqui é uma posição de protesto para que outros possam se enxergar possíveis treinadores de futebol. Quando eu era pequeno, sonhava em ser médico, mas eu não me reconhecia quando via na televisão os indivíduos que eram médicos porque todos eram brancos. Eu passei a olhar para o jogador de futebol como referência de sucesso, o cantor, porque me reconhecia naquele personagem. Infelizmente a criança pobre, que convive com o tráfico, vai se reconhecer no traficante como referência de sucesso. É o que está na realidade dela", declarou Roger.

Roger Machado

Nesta partida, Marcão e Roger Machado vestirão a camisa do 'Observatório da Discriminação Racial no Futebol', entidade de combate ao racismo e ao preconceito no mundo do futebol. Para saber mais detalhes sobre o duelo entre Flu e Bahia, confira o pré-jogo ​aqui.