​O mundo do futebol tem toda sua atenção voltada para a Inglaterra. Não é para menos, já que os quatro clubes que disputam as duas finais europeias são ingleses. Além da grande final da Champions entre Liverpool e Tottenham, o choque de Chelsea e Arsenal pela final da Liga Europa chamou a atenção para o futebol da Premier League nesse fim de temporada.



Será a primeira vez desde 2008 que a final da Champions não terá Real Madrid, Barcelona ou Bayern. Os três gigantes sempre começavam a competição como favoritos. Afinal, então, o que fizeram Liverpool e Tottenham para chegar à final da maior competição de clubes do mundo?


As diretorias de Liverpool e Tottenham apostaram nos projetos de seus treinadores e deram tempo a eles. Pochettino, por exemplo, chegou ao clube em 2014 e ainda não conquistou títulos. Aterrissou em Londres quando o momento do Spurs não era bom. O clube havia perdido seus dois principais jogadores (Bale e Modric, ambos vendidos ao Real Madrid), além de outros nomes que deixavam a equipe.


Para tentar tapar o buraco, o clube então gastava rios de dinheiro em nomes que não tinham retorno imediato. A diretoria sabia que precisava equilibrar os gastos financeiros e melhorar o desempenho. Reconhecido por promover e evoluir muitos jogadores da base nos trabalhos anteriores, Poch chegou para isso.


FBL-ENG-PR-TOTTENHAM-EVERTON


Após uma primeira temporada mediana, Mauricio quase foi demitido. Por sorte, os diretores abandonaram o pensamento imediatista e ouviram o treinador, que afirmou precisar de tempo para impor o mesmo estilo de jogo vistoso e ofensivo do Southampton, seu último trabalho.


Harry Kane,Dele Alli

Em 2014, chegaram ao elenco os jovens Delle Ali, Trippier e e Dier. Em  2015, Son e Alderweireld. Em 2017, junto com a joia da base Harry Kane, eles foram os grandes destaques do vice-campeonato do Tottenham na Premier League. Nos cinco anos de Mauricio no clube, os Spurs alcançaram também três vezes o terceiro lugar, colocando o clube em outro patamar dentro da competição nacional, onde era acostumado a ficar na sombra dos gigantes.


A competitividade aumentou, os jogadores passaram a compreender e desempenhar com perfeição as ordens do treinador. O mais impressionante é que toda essa evolução e sucesso acontecem dentro do planejado pela diretoria: sem gastar rios de dinheiro. O Tottenham não fez nenhuma contratação nas duas últimas janelas de transferências. As estrelas da equipe finalista são pratas da casa ou contratadas ainda muito jovens, tornando ainda mais possível o trabalho de lapidação de Mauricio junto a seus variados esquemas de jogo.




A 360km de Londres, Jurgen Klopp. O já consagrado treinador alemão chegou a Liverpool em 2015 após excelente trabalho no Borussia Dortmund, que pôs fim a hegemonia do Bayern de Munique ao ser bicampeão alemão e elevou o patamar do clube na Europa ao alcançar a final da Liga dos Campeões de 2013.

Jurgen Klopp


O carismático treinador foi escolhido a dedo pelos Reds para recolocar o clube no caminho dos títulos. O Liverpool nunca venceu o Campeonato na era da Premier League (desde 1992) e chegou a ficar de fora de Champions recentes.


Mais uma vez, o exemplo da paciência e das escolhas do técnico. Klopp estudou jogadores necessários para encaixar seu estilo de jogo. Nomes como Firmino, Wijnaldum, Salah, Mané e Van Dijk foram indicados pelo alemão e formam hoje a base de um time completamente entrosado.


As primeiras temporadas não foram boas. Um oitavo lugar na Premier 2015/16 deixou o Liverpool fora da Champions. Eliminações nas Copas domésticas e apenas uma final de Liga Europa, perdida para o Sevilla. Na temporada 2017/18, um quarto lugar na Premier, que trouxe o clube de volta a Champions

FBL-ENG-PR-LIVERPOOL-MAN CITY


Apesar de fracassos nas tabelas, a evolução do desempenho do Liverpool era notável. O 4-3-3 de Klopp ganhou consistência e começou a engrenar. O trio de ataque formado por Salah, Firminou e Mané encaixou. Foi então na temporada 2017/18 que o Liverpool almejou voos mais altos. Com um time que sufocava a saída de bola dos adversários jogando com as linhas altas, o intenso Liverpool de Klopp chegou a final da Liga dos Campeões.


A noite porém, não era dos Reds. Apesar de um início melhor, a saída precoce de Salah por lesão e a péssima noite do goleiro Karius, que falhou em dois gols, pesaram para a vitória por 3 a 1 do clube espanhol. 


Na atual temporada, a melhor versão dos Reds de Klopp. Com um time mais equilibrado e com a chegada do goleiro Alisson, o Liverpool fortaleceu sua defesa e parou de sofrer em jogos bobos. Essa melhora deve-se muito também a temporada espetacular de Van Dijk, cotado inclusive para disputar a Bola de Ouro. Os jovens e excelentes laterais Arnold e Robertson funcionam como válvula de escape pelos lados e já participaram de quase 30 gols da equipe na temporada.


Os Reds fizeram sua melhor campanha na Premier ao somarem  94 pontos, que seriam suficientes para o título na maioria das edições da competição. Porém, nesse ano, havia um Guardiola no caminho, campeão com um ponto a mais comandando o City. 




No dia 1º de junho no Wanda Metropolitano, os gigantes treinadores medirão forças. Dois times que chegaram a esse momento apostando no tempo acima dos resultados imediatos. Liverpool e Tottenham farão uma final do futebol moderno, de ataque em blocos, pressão na saída de bola e com versatilidade. Os exemplos que deveriam ser usados pelas diretorias e técnicos no Brasil. A paciência venceu.