​Na semana passada, a Justiça manteve a validade dos resultados da última eleição do ​Vasco da Gama, garantindo a continuidade de Alexandre Campello no cargo de presidente do clube. Mas as boas notícias para o dirigente pararam por aí. Na última segunda-feira, o Conselho fiscal emitiu parecer de abstenção a respeito da contas de 2018, dando conta que os dados foram repassados fora do período estabelecido. No mesmo dia, o presidente do órgão, Edmilson Valentim, e mais de 60 conselheiros de oposição passaram a levantar pontos da gestão que serão questionados em reunião ainda sem data marcada. Nos corredores de São Januário, segundo o ​Uol, há quem garanta que existe uma tentativa de instaurar um processo de impeachment nos próximos meses.


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Entre os itens analisados pelos opositores, há destaque para dívidas trabalhistas não pagas, a relação com o Banco Paulista, onde foi aplicado o valor da venda do atacante Paulinho para o Bayern Leverkusen, da Alemanha, e também um novo empréstimo de R$ 4,2 milhões feito junto ao empresário Carlos Leite, que comumente repassa dinheiro ao Vasco. Além disso, quer se saber mais sobre a atuação do filho do presidente, Eduardo Campello, no departamento de futebol cruzmaltino. 



Sobre o caso do banco, os conselheiros querem entender o motivo pelo qual a instituição financeira, além de ter ficado com os R$ 76 milhões retidos por quatro meses, repassando o valor de forma fracionada a outras contas do clube, não pagou juros sobre o montante aplicado. Em relação ao empréstimo de Leite, há dúvidas sobre a razão que levou o Vasco, três dias depois do repasse, ter feito um pagamento ao empresário, graças a novo empréstimo junto ao Banco BMG, de R$ 300 mil a mais que o total original.


Abaixo, a explicação dada  pelo Vasco:


A referida conta no Banco Paulista, de titularidade do Club de Regatas Vasco da Gama, é única e exclusivamente utilizada para realizar operações de câmbio (operação exterior). Quando concluída a venda do atleta Paulinho, em abril de 2018, o Clube fixou um câmbio para evitar perdas (conforme já amplamente divulgado, o valor da operação foi de aproximadamente R$ 76 milhões). À medida que o Clube precisava honrar compromissos financeiros, os recursos foram sendo gradativamente transferidos para outras contas do Vasco para os respectivos pagamentos. Grandes empresas utilizam esta estratégia, chamada hedge, para minimizar riscos com eventuais oscilações no câmbio.


Em 17 de outubro de 2018, dada às dificuldades de fluxo de caixa do Clube, ocasionadas, sobretudo, pela recusa de grupos de oposição em aprovar o primeiro pedido de empréstimo feito na ocasião pela Diretoria Administrativa, o Vasco recorreu ao empresário Carlos Leite, que efetuou um empréstimo, SEM OCORRÊNCIA DE JUROS, de R$ 4,1 milhões. Estes recursos, repita-se, foram utilizados em uma situação emergencial para a quitação da folha salarial de agosto. Parte do empréstimo foi quitada seis dias depois e o restante, cerca de 40 dias após a operação. Na ocasião, o Clube também pagou ao empresário Carlo Leite o valor aproximado de R$ 320 mil referentes à quitação de duas parcelas de empréstimo contraído pelo Vasco junto ao Banco Safra. Este empréstimo, do qual o empresário é garantidor, foi realizado em novembro de 2017.


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Foto: Paulo Fernandes / Vasco / Divulgação