Em fevereiro, o Mineirão completou seis anos de sua reinauguração. O estádio foi reformado e modernizado para contemplar os padrões da FIFA na Copa do Mundo de 2014. O diretor comercial da Minas Arena, Samuel Lloyd, explicou ao ​Globo Esporte como funciona o modelo de gestão do Gigante da Pampulha.


Na entrevista, Lloyd comentou sobre como operam a administração, as receitas e despesas da Arena, além das parcerias com ​Cruzeiro e ​Atlético-MG. Desde sua reabertura em 2013, que a Raposa manda seus jogos no Mineirão, já o Galo optou por disputar a maior parte de suas partidas como mandante no Independência. Este cenário começou a mudar nesta temporada.


Segundo o diretor, a gestão do estádio funciona de modo público-privado, na qual a empresa administra:


Um patrimônio do povo mineiro, um patrimônio que pertence ao estado de Minas Gerais. E o modelo de gestão se dá pela seguinte forma: nós, desde o início do contrato, investimos na reforma deste bem e, após o estádio ficar pronto, o estado começou a pagar as parcelas em relação a obra de reforma e modernização do Mineirão. Hoje em dia, o governo do estado de Minas Gerais investe através dessas parcelas, das contraprestações, mas todos os custos relativos a operação e manutenção da arena são assegurados pelo parceiro privado”.


Em relação a quantia que a Minas Arena recebe do Estado, Lloyd disse que o Gigante da Pampulha não recebeu nenhum investimento público até a conclusão das obras. “Todo investimento foi feito e capitaneado com dinheiro privado. Apenas após a conclusão destas obras, o governo financiou esse pagamento através da contraprestação que é hoje na casa entre R$ 8 milhões a R$ 11 milhões. Então, a partir de 2013 o estado começa a pagar o valor total da obra em parcelas mensais”, ressaltou.


Deste modo, o Mineirão não se enquadra na Lei nº 8.666/93 que rege as obras públicas, como é o caso do ​Maracanã, no qual o Estado investiu em sua construção antes do estádio ficar pronto.


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De acordo com o representante da gestão do estádio, os clubes não pagam um aluguel ao Mineirão, mas, sim, os custos do dia da partida.


“Nos jogos de futebol a operação é gerenciada pela Minas Arena em parceria com o clube, mas com responsabilidade maior da Minas Arena. O custo em um jogo grande, para 60 mil pessoas, varia entre R$ 250 mil a R$ 340 mil. Isso mostra que temos um custo muito baixo por torcedor – cerca de R$ 8 – em relação as outras arenas do país. O Mineirão também permite que o clube module os setores, como por exemplo, fechando alguns setores”.


Os contratos de Cruzeiro e Atlético com a gestão do Mineirão são diferentes. A Raposa tem um acordo em que a Minas Arena paga os serviços do estádio antes do jogo e é ressarcida em 70% dos valores após a partida. Por outro lado, o alvinegro mineiro paga diretamente aos prestadores dos servidos de segurança, limpeza e brigadistas que vão trabalhar no dia do confronto.


“Então, o modelo é extremamente flexível para os clubes, buscando atender o objetivo de cada agremiação”, afirmou Lloyd.


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Como não cobra aluguel das equipes, o Mineirão arrecada com as “as vendas de suas propriedades comerciais, como por exemplo, estacionamento, bares, camarotes, ingressos VIPs e propriedades de patrocínio” para se manter. Deste modo, o Gigante da Pampulha se tornou uma arena multiuso, que comporta diversos eventos.


Só de futebol não viveríamos. A receita por jogo é cerca de 15% de cada borderô divulgado, obviamente, temos alguns picos, como a final da Libertadores entre Atlético-MG e Olímpia, em que a administradora faturou cerca de R$ 3 milhões. Outro exemplo é a final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Flamengo, que obtivemos uma quantia por volta de R$ 2 milhões”, pontuou.


Conforme o representante, os maiores custos operacionais do Mineirão para as partidas são com segurança, limpeza e brigadistas. As três operações devem representar entre 60 e 70% de cada jogo. Já para a manutenção mensal, o gasto seria com a parte de engenharia.


O Atlético-MG passou a jogar mais partidas no Mineirão nesta temporada e de acordo com o diretor comercial isto significa a realização de um projeto que foi lançado em 2010. “O Mineirão foi reformado para ser a casa de Cruzeiro, Atlético e América. Concretizar isso, sempre foi nosso objetivo”.


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O Campeonato Brasileiro vai começar no dia 28 de abril e a tendência é que o Mineirão seja a casa da Raposa e do Galo.


“O Atlético é sempre bem-vindo, assim como o Cruzeiro, América, Villa Nova, Tupi, URT, qualquer clube mineiro que queira jogar será muito bem acolhido. Mas agora, falando de Atlético e Campeonato Brasileiro, queremos sim que o Atlético traga os principais jogos do Brasileirão, já que o Mineirão é uma fonte de receita muito importante para os clubes. É possível equilibrar a balança das finanças. Entendemos que os clubes hoje no Brasil passam por esse desafio e devem contar com o Mineirão como um aliado”, garantiu Lloyd.


Por fim, Samuel Lloyd assegurou que em uma possível final entre Atlético e Cruzeiro quem vai cuidar das marcas e plotagens no estádio é o clube mandante.


A regra é sempre a mesma. O clube mandante determina todas as questões, como por exemplo, qual vestiário utiliza, volume de camarotes disponíveis para o clube visitante, vagas de estacionamento. Então, normalmente, a gente trata desta forma e sempre tem dado muito certo. A administradora fica apenas disponível para auxiliar no planejamento”, encerrou.