No longínquo ano de 1969, a ONU estabeleceu o 21 de março como o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, em referência ao massacre em Joanesburgo ocorrido neste mesmo dia 10 anos antes (1959), durante o período do Apartheid. Nesta data, 69 negros foram mortos e outros 200 ficaram feridos, vítimas da repressão policial organizada a um protesto pacífico pelo fim do regime separatista e segregador que vigorava na África do Sul. Seis décadas após este triste episódio, o racismo ainda é uma realidade bruta nos quatro cantos do globo, em especial nas Américas.


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​​Justo na semana em que vivemos e refletimos sobre o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, testemunhamos um triste episódio oriundo dos gramados bolivianos. O brasileiro Serginho, atleta de 34 anos do Jorge Wilstermann, abandonou o campo com a partida de sua equipe em andamento, logo após ouvir ofensas racistas por parte da torcida do Blooming, seu rival. Ao mesmo tempo que a atitude do meio-campista correu o mundo e foi interpretada como um gesto justo e simbólico de reação, ele próprio e seu clube correm riscos de retaliação por parte das entidades que gerenciam o futebol local

Em um show macabro de desumanidade, o presidente do Blooming criticou a atitude de Serginho, entrou com pedido de suspensão ao brasileiro e tratou o episódio de racismo como algo 'folclórico que faz parte do que é o futebol'. Infelizmente, conhecendo o futebol sul-americano e seu histórico de negligência, não seria nenhuma novidade o protecionismo jurídico ao agressor, e não ao agredido. Além do trauma, Serginho ainda pode ser proibido de exercer sua profissão, apenas por não ter aceito passivamente as injúrias e imitações de macaco que vinham das arquibancadas. Em seu gesto de coragem que gostaríamos que não fosse necessário, o camisa 10 gritou 'silenciosamente' pelo fim da impunidade e por uma sociedade mais igual, algo que parecemos cada vez mais distantes de alcançar.