​Em que se respeite, de forma plena, o luto de familiares e amigos que perderam seus entes queridos, o trágico incêndio ocorrido na última sexta-feira (8) no CT do Ninho, com três feridos e dez vítimas fatais, precisa ser profundamente investigado. Muito mais do que apontar responsáveis ou iniciar uma 'caça às bruxas', é necessário entender o que aconteceu para que este triste enredo não volte a se repetir no futuro.


Como destaca o jornalista Mauro Cezar Pereira em sua coluna no ​UOL Esportes, passadas pouco mais de 24 horas após a tragédia, ainda existem muitas perguntas sem resposta. Choca e intriga, qualquer um que tenha se sensibilizado com a fatalidade, a divulgação de que o Centro de Treinamento Rubro-Negro operava sem alvará e com mais de 30 autos de infração. Essas autuações da Prefeitura estariam ligadas ao incêndio? Quais providências foram tomadas pelo clube à medida que as infrações se acumulavam? Havia autorização para o Flamengo ocupar aquele espaço com containers e dormitórios?

São perguntas que machucam e que, em um primeiro momento, parecem oportunistas. Sabemos que as dez vidas ceifadas não voltam, infelizmente. É muito cedo para cravar negligência, descaso ou apontar dedos à possíveis culpados, mas não há outro caminho: apurar e elucidar o incidente é o protocolo, ainda que o momento seja de grande dor.