Apesar de sonhar apenas em jogar bola, a catarinense Natália Pereira, de 9 anos, se transformou em um símbolo da luta pela equidade de gênero no esporte. Seu talento e persistência, unidos à convicção de seus pais, levaram a garota ao posto de primeira menina jogando nas categorias de base de um time profissional masculino. Mas até que isso fosse possível, muita luta e muitas portas fechadas foram superadas pela família.


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​​O ​Blog Dibradoras contou um pouco da história de Natália, e todos os percalços enfrentados para que ela chegasse à base do Avaí, seu clube do coração. A menina começou a jogar bola aos 7 anos, mas foi recusada em diversas peneiras simplesmente por ser... menina: "Ela tentou fazer a peneira do time que o irmão jogava, mas chegou lá de chuteira e tudo e não a deixaram fazer porque não era para menina (...) Indicaram o ADIEE, time de um colégio, e o técnico a chamou para um teste lá. Ela acabou ficando, foi a primeira menina a disputar a Liga Metropolitana. Eram 900 meninos e ela", contou a mãe, Karina Pereira.

Na Liga Metropolitana, Natália se destacou e chamou atenção do público local, por disputar a artilharia até a reta final da competição. Pouco a pouco, os comentários preconceituosos se transformaram em "tem que marcar a menina!", uma vitória para a família e para a própria atleta. A busca por espaço entre os garotos acabou se tornando a única opção para a menina, já que o futebol feminino no Brasil recebe pouco investimento e estrutura, sendo muito raras as categorias de base para meninas. Quando existem, são do Sub-14 pra cima.


Convencer o Avaí a aceitar a participação de Natália em uma peneira não foi fácil, mas o esforço valeu a pena. O talento e competência da garota foram seu passe, já que os profissionais da base do Leão não a trataram de forma diferenciada por seu gênero. Lucas Colturato, treinador do Sub-10 avaiano, elogiou a parte técnica apurada da nova jogadora: "O que chamou bastante a atenção foi a personalidade dela, porque não é fácil uma menina estar jogando entre os meninos, e a parte técnica dela, o domínio, passe e a finalização. Percebemos que a parte técnica dela está muito avançada para a idade", afirmou.

A partir do mês de março, Natália Pereira integrará oficialmente o Sub-10 do Avaí. Sua história é uma inspiração e uma evidência de que o futebol é de todos e para todos, sem distinção​ainda que muito preconceito ainda se propague no meio: "Ela é a prova de que tudo é possível. Se a gente fosse falar um tempo atrás de uma menina jogando na base de um time profissional masculino, isso era algo completamente impossível de acontecer. Hoje pode, porque a Nati chegou lá", concluiu Karina.