​A cada canto, uma história. Seja dentro ou fora das quatro linhas, cada personagem do futebol de várzea possui um “causo” para contar. E olha que é um mais engraçado que o outro. Situações que só o “futebol raiz” pode proporcionar. Antigas ou atuais, elas ficam na memória de protagonistas.


Neste sentido, vale até uma “sacanagem” para poder tirar onda depois. "Fizemos um jogo contra o Unidos do Rauber (SC) aqui e teve uma hora que, dentro da área, eu tive uma confusão com o centroavante. Eu jogava de meia e, nisso, eu fui injusto e dei um leve tapinha no companheiro. E o juiz pegou e puxou o cartão vermelho. Como toda a turma veio em volta, eu vim por trás bem quietinho e puxei o cartão dele. E depois ele não sabia se tinha perdido, onde é que estava o cartão e não pôde me expulsar. Joguei todo o resto do jogo. Ganhamos e saímos tranquilos porque o juiz não teve o cartão vermelho para me expulsar”, lembra Moca, hoje diretor do Flamengo SCBR.


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Pois o João, técnico do FEM. A.E. Estrela do Vale (MG), também aprontou uma, mas confiou no seu taco e saiu “grande”. “Eu estava disputando um campeonato e tinha um senhor do lado assim e ele falou: ‘ah, esse time tem que perder’. Aí eu disse: ‘ah, esse time não vai perder não!’. Aí ele falou logo assim: ‘Por que que não vai?’. ‘Não vai porque eu vou colocar um jogador lá agora que vai ganhar o jogo’. Quando eu coloquei o jogador e ele foi lá e fez o gol, eu cheguei perto do senhor e disse assim: ‘O seu Zé (ele virou uma fera comigo). O seu Zé, me desculpe, mas eu levei os três pontos, viu!’. Aí eu fui embora e ele foi me procurar para poder brigar, e eu já tava dentro da Kombi há muito tempo. Futebol, né, tem que ser jogado dentro das quatro linhas”, destaca.


Neste clima, vale até lembrar de curiosidades envolvendo o companheiro de trabalho. E esta, com certeza, ficou para sempre na memória de quem jogava ou acompanhava a partida bebendo a sua Kaiser e torcendo para o seu time. “Uma vez, um bandeira que estava comigo no jogo foi pular a cerca pra pegar uma bola pros jogadores. E a cerca é eletrocutada por causa do gado, né! Daí ele pegou e tomou um choque. Foi uma coisa bem atípica do futebol, mas isso faz parte da várzea”, diz, sorrindo, o árbitro Diosinei Oliveira Diz aí: tem algo melhor que esse clima?