​Tem campo de futebol, tem jogo. Pode ser com um paredão atrás de um dos gols, com carros estacionados próximo à linha lateral. Pode ser com os jogadores tendo que se aquecer em meio aos automóveis, tendo que se hidratar com água vinda da “bica” e sendo observados por simpáticos cachorros. Sim, esse é o futebol de várzea que tanto encanta. É o chamado “futebol raiz”. Bem diferente do “futebol glamour”.


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Ali, nos campos de bairro, predomina a amizade mesmo em clima de competição. E não importa se é preciso jogar sob um sol escaldante ou em um local esburacado. O prazer de ir atrás de uma bola é gigantesco. “A diferença que eu acho que tem dos ‘dois futebol’ é o seguinte: que o jogador de várzea tem a lesão e no outro dia ele já está pronto para trabalhar. No outro dia ele já vai jogar bola. No outro dia ele já está pronto para tomar outra porrada de novo”, destaca João, técnico do FEM. A.E. Estrela do Vale (MG).


Para a torcida, vale a festa. E, claro, a possibilidade de comer uma pipoquinha e tomar “uma” bem geladinha, algo que em alguns grandes estádios está proibido. “A gente vai no estádio. Vai ver um Coxa, um Atlético, um Paraná...não pode beber, não pode levantar porque se você levantar tem um cara e diz “abaixa!’. Não dá! Aqui a gente fica de pé. Daí, como vai sentar? Não tem como sentar”, salienta Anderson dos Santos, torcedor do Iguaçu (PR).


Sim, todo mundo fica aglomerado, alguns até em cima da grade, para poder acompanhar atentamente a partida. Seja à luz do dia ou em uma noite na qual os refletores penam para iluminar o espetáculo, vale o convívio social e a possibilidade de se fazer novas amizades. “O futebol de várzea é apaixonante pelo seguinte: as comunidades se reúnem. Onde tudo começa, né. Que á raiz do futebol, na várzea, né. Todo mundo se reúne leva família, vem pros jogos. E dentro de campo é aquela guerra para tentar ganhar o jogo”, revela o árbitro Diosinei Oliveira. Aliás, para quem trabalha apitando os jogos, não há problema nenhum em ter que dar um nó na rede para que a bola não passe. São fatos como este que chamam atenção e que mostram que o futebol tem na várzea um início para lá de prazeroso. “Aqui é melhor. Ficar na beira do alambrado é bem melhor.” Este é o sentimento do João Aparecido, um torcedor raiz que representa boa parte dos admiradores do futebol. Ah, e para comemorar a vitória...uma Kaiser bem gelada, né?


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