Com origem nas arquibancadas e defendendo um clube popular, José Carlos Peruano e Marcelo Vargas destoam dos dois principais candidatos que disputam a eleição do Flamengo neste sábado (8). Ex-militantes da Torcida Jovem, ambos contam com um orçamento limitado e resistência de parte dos sócios do clube. Os azarões disputam a presidência contra o também ​opositor Rodolfo Landim e Ricardo Lomba, candidato do ​atual presidente Eduardo Bandeira de Mello.


"Diziam que eu era marginal e delinquente. Apresentei todas as minhas certidões e fui aprovado pela democrática Comissão Eleitoral. Nunca fui preso, nunca matei ninguém, nunca cumpri pena e nunca respondi processo. Não precisa ter dinheiro para ser presidente do clube. Precisa ter organização e entender daquilo. E, de Flamengo, eu entendo", afirmou Peruano em ​entrevista ao UOL.

"Acho que isso me ajuda (ter sido presidente da Torcida Jovem). Está na história do Flamengo. As organizadas são fenômenos sociais. O problema de tudo na vida está nas peças erradas nos locais errados. Pode acontecer em qualquer lugar. Já estive nas duas pontas e sei muito bem como lidar com isso. É preciso chamar para conversar e fazer reuniões. Todas as organizadas têm CNPJ. Vamos colocar a organizada assumindo as suas responsabilidades. O clube não pode se afastar da forma como essa diretoria fez. Só complica o cenário", completou Vargas, que é o candidato da Chapa Branca (Fla-Tradição).


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Peruano, que defende a Chapa Amarela (Coração Valente), acredita ser vítima de preconceito por conta da sua origem e se julga defensor dos excluídos.


"Existem vários tipos de preconceito no Flamengo. Mora no subúrbio, anda de metrô, não mora na Barra... Não tem grana? Aí você passa a ter uma doença contagiosa. Quantas pessoas gostam do Rodolfo Landim no Flamengo? Todas! O pobre adora o sucesso! Ele é o sucesso! O Peruano é duro, não tem grana. Para que votar nele? Fizeram chacota da minha campanha. Não quero saber quantos votos terei. Já sou um vencedor por ter quebrado essa barreira. Fizemos só 200 camisas e uma faixa. Quero ingressos baratos e lutar pela parte popular. Hoje, o Flamengo é tudo, menos popular", comentou. 

Apesar de culpar a atual diretoria pelo conturbado ambiente político, Marcelo Vargas promete unificar as diferentes correntes políticas em torno de uma administração boa para o clube. 


"O que aconteceu nesses últimos seis anos foi que a arrogância da atual administração colocou tudo a perder. Eles são tão despreparados politicamente que não conseguiram manter a união do próprio grupo. Se vencer, o meu objetivo é conversar com todos assim que terminar a eleição. Infelizmente, o grupo da situação possui uma tendência esquizofrênica pelo poder. Identificamos pessoas jovens com apego enorme ao status. Sempre alertamos para isso. Ainda bem que eles devem sair. Se ficassem por mais três anos, não sei se ainda existiria o Flamengo. Os caras vaiavam quem votava contra no Conselho Deliberativo. Isso é uma falta de respeito enorme. O sócio do clube não está acostumado e abriu os olhos", criticou. 


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Já Peruano não acredita em uma pacificação do clube.


"O SóFla é um grupo fascista. Só querem para eles, não repartem o bolo. Está difícil aqui fora se perder o emprego. Deve passar isso na cabeça dos caras. Falavam da mamata, mas hoje fazem parte dela. Falam muito em honestidade, mas aparelharam o clube. Quando o barco afunda, os ratos pulam primeiro. Hoje, o muro está baixo. Todo mundo pulou para o lado do Landim. Quem não pulou, ficou para bater lata na oposição. O Landim é os Estados Unidos, o SóFla é Honduras", argumentou.