Impacto social

6 clubes de futebol que já foram denunciados por trabalho escravo

Breiller Pires
Portuguesa Santista foi condenada por exploração do trabalho em 2012.
Portuguesa Santista foi condenada por exploração do trabalho em 2012. / Ale Vianna/Agência Eleven/Gazeta Press
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Embora muitos torcedores imaginem que a carreira de jogador seja repleta de mordomias e salários milionários, esta é uma realidade comum à minoria da classe dos atletas. 

De acordo com um estudo da CBF, de 2016, apenas 4% dos cerca de 25.000 jogadores profissionais do país têm salário superior a 10.000 reais. Por outro lado, mais de 80% ganham menos de 1.000 reais por mês.

Não bastasse a rotina de vencimentos atrasados em clubes pequenos, alguns atletas ainda sofrem com condições análogas à escravidão. Neste Dia Internacional do Trabalhador, o 90min apresenta uma lista com seis clubes de futebol que já foram alvo de denúncias de trabalho escravo no Brasil.

1. Portuguesa Santista-SP

Em 2012, o time da Baixada Santista foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por trabalho escravo e tráfico de pessoas após uma fiscalização do órgão em uma pensão mantida pelo clube, onde 12 garotos estavam alojados em situação precária e sem alimentação adequada. Eles haviam sido recrutados no Pará e foram levados para Santos por um falso olheiro que usava a estrutura da Portuguesa. Apesar da Justiça ter rejeitado a denúncia por trabalho escravo, o clube foi condenado por exploração e trabalho infantil. Na época, dirigentes argumentaram que o departamento de base havia sido terceirizado e, após romper o vínculo com o olheiro denunciado, teriam melhorado a estrutura oferecida aos atletas.

2. América-SE

Durante um jogo contra o Confiança pelo Campeonato Sergipano, em 2013, dois jogadores da equipe de Propriá passaram mal em campo. Um deles chegou a desmaiar de fome. Depois do episódio, o Sindicato de Atletas de Sergipe denunciou o clube por trabalho escravo. Jogadores não recebiam salários havia dois meses e sofriam com a falta de comida na concentração.

3. Santa Bárbara-GO

Estadio Serra Dourada Goiânia
Estádio Serra Dourada, em Goiás. / Alexandre Schneider/Getty Images

Uma batida do Ministério Público do Trabalho (MPT), em 2014, constatou que 29 atletas do clube goiano viviam em condições de escravidão contemporânea no alojamento da base. Nenhum dos adolescentes recebia salário. No casebre onde moravam, só havia um banheiro e sete camas. A maioria deles dormia amontoada em colchões. O clube acabou interditado e fechado após o flagrante.

4. Caiçara-PI

Em 2016, o Sindicato de Atletas do Piauí resgatou 14 jogadores submetidos ao trabalho escravo no alojamento do clube de Campo Maior, interior do estado. Com quatro meses de salário atrasado, o grupo não tinha fogão nem mesmo geladeira para guardar alimentos doados por torcedores. Por causa da saída dos atletas, o clube perdeu por W.O. os dois últimos jogos do Campeonato Piauiense e acabou suspenso pela federação local. Dois anos antes, o Caiçara já havia sido denunciado sob a acusação de trabalho degradante, quando um dos jogadores relatou que o elenco precisava tomar banho de cuia, pois não havia sequer chuveiro no centro de treinamento.

5. Jaguariúna-SP

Um grupo de 13 jogadores da equipe da quarta divisão paulista abandonou a concentração após quatro meses sem receber salários. Os atletas denunciaram ao Sindicato da categoria que eram tratados como escravos – as poucas refeições servidas no alojamento estavam com bichos e validade vencida –, além de não terem cômodos ventilados para dormir. O clube alegou que a responsabilidade pelo pagamento e alojamento dos jogadores era de uma empresa terceirizada, que não se manifestou sobre a denúncia.

6. Paraíso-TO

Na primeira divisão do Campeonato Tocantinense, em 2018, o elenco do time fez greve por não receber salários. Jogadores relataram à federação que teriam sido ameaçados pelos dirigentes do clube ao cobrar a dívida. "Não somos escravos", protestou Alan, capitão da equipe, que acabou excluída do torneio e proibida de participar de competições oficiais por três anos.

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