Meu pai nasceu em 1939 na região de trás os montes em Portugal. Para quem não conhece é uma região do norte do país que podemos classificar como interiorana. Na sua adolescência o país enfrentava graves dificuldades por conta dos efeitos da segunda grande guerra que por coincidência iniciou-se no seu ano de nascimento e, assim como muitos portugueses, acabou imigrando para o Brasil em 1952.


Imagino o que se passava na cabeça daquele garotinho de 13 anos. Saiu de sua terra mãe e decidiu fincar raízes em um lugar novo onde não conhecia praticamente nada, além de alguns poucos parentes que o receberam por aqui.


Chegou pelos mares como os grandes navegadores da história e desembarcou no Rio de Janeiro onde viveu até os seus 20 anos. Diferente do que a colônia normalmente fazia, adotou como time de coração o Canto do Rio ao invés do Vasco da Gama.


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É verdade que ele nutria um sentimento pelo talvez mais famoso time de colônia da época, mas de lá já acompanhava o esquadrão rubro verde comandado por Djalma Santos, Julinho Botelho, Pinga e Simão entre tantos outros que levantou o caneco no torneio RJ-SP em 1952 e 1955. Com um time formado por verdadeiros leões não demorou para a imprensa esportiva batizar seus seguidores como uma fabulosa torcida.


Veio para São Paulo em 1959 e apaixonou-se perdidamente pela Portuguesa. Aliás apaixonou-se perdidamente por duas portuguesas, sendo que com minha mãe teve 3 filhos.


Sou o caçula e imagino a pressão para meus irmãos seguirem cultuando a rubro verde que carrega a cruz de avis no peito foi grande, mas acabou não funcionando, afinal eles decidiram seguir com outros times. 

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No meu caso não houve pressão alguma, mas como não me apaixonar perdidamente por algo que representa tanto a sua história de meu pai e consequentemente a minha?! Lembro de enchê-lo para que ele me levasse ao Canindé. 

​Acompanhei muitos jogos ao seu lado e, embora tenham existido muitos insucessos, as recordações são a minha grande conquista. Em 1985 e 1996 batemos na trave.


Em 2011 vivenciamos a conquista da série B de forma avassaladora. A Lusa como em muitas outras ocasiões passou o trator nos adversários.

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No final de 2013 fomos abatidos no tapetão e desde então parece que estamos parados no tempo. Nosso time foi sequestrado por pessoas que parecem desconhecer não só as glórias, mas principalmente a história e as lembranças que em muitos foram marcadas.


A verdade é que enquanto esperamos pelo nosso D. Sebastião, acompanhamos nosso clube de longe, porém o que a Portuguesa uniu, nada irá separar.


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No protesto no final de 2013 pela queda no tapetão. Eu, minha esposa, minha filha e um maestro qualquer.


E agora já vovô, passou seu amor fraternal e seu paixão pela Lusa para suas duas netas e seu pequeno neto que nasceu no dia 14/08, por coincidência o dia de aniversário da Associação Portuguesa de Desportos e da vitória portuguesa na batalha de Aljubarrota.


Rafael Ramos Gonçalez é Gerente de Mídia no Itaú, filho do Celso Paulino Gonçalez e rubro verde pra sempre.