Impacto social

5 craques do futebol que já falaram abertamente sobre depressão e saúde mental

Lucas Humberto
Adriano Imperador é um dos exemplos mais contundentes
Adriano Imperador é um dos exemplos mais contundentes / Ben Radford/Getty Images
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A desistência de Simone Biles em participar da final do individual geral da ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Tóquio direcionou os holofotes da competição para um assunto nem sempre tão falado no meio esportivo: a saúde mental. Tida como grande nome dos Estados Unidos no torneio, a lendária ginasta fez um importante desabafo sobre pressão e bem-estar.

"Assim que eu piso no tablado, sou só eu e a minha cabeça, lidando com demônios. Tenho que fazer o que é certo para mim e me concentrar na minha saúde mental e não prejudicar minha saúde e meu bem-estar. Há vida além da ginástica."

Biles, depois de anunciar desistência
Simone Biles Olimpíadas Tóquio Ginástica Saúde Mental Depressão
Aos 24 anos, Simone Biles é um dos maiores nomes da história da ginástica / Fred Lee/Getty Images

Assim como Biles, grandes craques do futebol falaram abertamente sobre o assunto. Abaixo, você confere cinco exemplos.

1. Adriano Imperador

Em entrevista concedida no mês de maio ao The Player's Tribune, Adriano abriu o jogo sobre sua luta pela saúde mental. Na conversa, o Imperador falou sobre a pressão sofrida após atingir o estrelado dentro das quatro linhas e o peso de ter deixado parte das oportunidades para trás.

"Sim, talvez eu tenha desistido de milhões. Mas quanto vale a sua paz de espírito? Quanto você pagaria para ter de volta a sua essência?", questionou o craque. Em suas redes sociais, ele apoiou a decisão de Simone Biles.

2. Nilmar

Credenciado depois de títulos importantes no Corinthians e Internacional, além de ter participado da Copa do Mundo de 2010, Nilmar chegou ao Santos sob muita expectativa. Acontece que nada disso importa muito quando a depressão fala mais alto.

Em 2019, o atacante concedeu uma entrevista poderosa ao jornalista Roger Flores falando sobre a doença e a pressão do esporte. "Você não consegue sair, por mais que você lute, mais triste você fica, mais angústia... Só quem enfrentou, quem viveu próximo a isso, e o atleta profissional tem essa imagem de ser um super-herói".

3. Cicinho

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Lateral brasileiro jogou no Real Madrid / Etsuo Hara/Getty Images

Formado no Botafogo, o lateral-direito rompeu as barreiras do futebol nacional e conseguiu alcançar o tão sonhado estrelato no exterior. Ao longo dos anos, atuou na Roma, Real Madrid, Villarreal, seleção brasileira, etc. Cicinho, no entanto, poderia ter deslanchado ainda mais se não fossem os problemas com álcool e depressão.

No ano passado, o jogador contou parte da sua história ao Estadão e falou abertamente sobre os efeitos da depressão na vida do atleta: "Percebi que estava exagerando quando perdi o prazer de realizar meu trabalho, de jogar futebol. Sempre fui apaixonado por futebol. Quando Deus dá um dom e a gente não sabe administrar, é porque tem algo errado. Não tinha mais prazer em entrar em campo, treinar e concentrar. Eu tinha 30 anos e estava jogando na Roma, em 2010".

4. Alex

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Jogador estava com a braçadeira de capitão na fatídica partida do rebaixamento / Lucas Uebel/Getty Images

Marcado principalmente pelos anos no Internacional e Corinthians, Alex teve um fim de carreira conturbado. Capitão na partida que resultou no rebaixamento do Colorado, o meia-atacante contou que adquiriu depressão pelo tratamento recebido depois da fatídica queda rumo à Série B.

Seu testemunho, no entanto, não ficou restrito aos efeitos da doença em si. Em entrevista ao programa Os Donos da Bola, ele falou sobre o processo de recuperação: "Eu sigo fazendo acompanhamento, sigo com medicação. Hoje, num ponto muito melhor. Mesmo se for uma carreira como eu tive, que foi especial, vai ser sempre difícil o final. Eu, aos 34 anos, me sentia em muitas condições de seguir em algum outro clube, só que, com essa atitude, o mercado ficou tão estranho que parece que realmente você fez algo de muito errado".

5. Luke Shaw

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Lateral teve atuação na Eurocopa reconhecida por Roberto Carlos / GES-Sportfoto/Getty Images

Apesar da escolha por Luke Shaw parecer um pouco deslocada das demais, optamos pela presença do lateral por um ponto ainda muito pouco discutido no futebol brasileiro: a relação entre masculinidade e saúde mental.

Em conversa com os canais oficiais da Adidas, o inglês falou sobre a importância de discutir o assunto: "Nós, homens, especialmente na indústria do futebol, talvez tenhamos muito orgulho e não queremos falar abertamente porque apenas pensamos 'vamos para casa, eu vou cuidar disso sozinho e talvez no dia seguinte vou me sentir melhor', quando isso continua te comendo por dentro e eu já me senti assim antes".

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