Opinião

3 principais erros do Corinthians na derrota para o Fortaleza

Victor Chagas
Corinthians cai fora de casa para o Fortaleza
Corinthians cai fora de casa para o Fortaleza / Alexandre Schneider/Getty Images
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O Corinthians foi ao Castelão e voltou para casa sem nenhum ponto. Após vencer a Chapecoense, também fora de casa, o Timão perdeu para o Fortaleza pelo placar mínimo: Robson acertou um belíssimo chute de fora da área e foi o artilheiro solitário da noite. Ao final do jogo, muitas críticas ao comportamento do time, duas posições a menos e a quebra de uma sequência de seis jogos em perder.

Mas o que aconteceu? Por mais que o time do Fortaleza tenha muito mais volume de jogo que o Corinthians, o que aconteceu para que a partida fosse considerada uma das piores da era Sylvinho? O que aconteceu em campo que acabou resultando na derrota do Coringão?

Pontuaremos agora três erros bem claros do time na derrota para o Leão.

1. Distanciamento entre as linhas

Sylvinho
Olha esse espaço, Sylvinho / Alexandre Schneider/Getty Images

Este precisa ser o primeiro ponto a ser mencionado. O Corinthians segue com a melhor defesa do Brasileirão, tendo sofrido apenas oito gols até o momento. Com um sistema pouco criativo e muito compacto, com muito mais jogadores de contenção do que ofensivos, ficou clara a intensão do técnico alvinegro: arrumar a defesa e depois ir vendo o restante.

Por mais que a Fiel queira um jogo minimamente ofensivo, que dê mais opções do que Gustavo Silva correndo pela ponta, não é errado pensar em arrumar a casinha primeiro. Porém, engessar as possibilidades de ataque acabam resultando em uma situação como a de ontem. O Fortaleza sabia da dificuldade atual que é infiltrar na zaga alvinegra, portanto chutes e mais chutes foram dados de fora da área, até que em um deles a bola entrou no fundo da rede de Cássio. Como reagir agora? Da onde criar variações para nascerem chances de gol? Em que hora isso acontecerá?

Repito: O problema não é ser defensivo, mas sim não saber o que fazer quando a defesa falhar e o time tiver que atacar, e, infelizmente, não ter nenhuma ou outras opções quando tiver que se lançar em busca de um gol. O jogo é dinâmico e não da para se amarrar em poucas alternativas.

2. O FAGNER PRECISA ATACAR! O FAGNER PRECISA ATACAR!

Fagner
Fluminense v Corinthians - Brasileirao Series A 2018 / Alexandre Loureiro/Getty Images

Percebe-se que o técnico atribui tarefas diferentes para os laterais. Pela direita, Fagner fica mais preso, sem passar muito pela linha que divide o gramado, fazendo o passe para Gustavo Silva disparar em velocidade. Por outro lado, na esquerda, Fabio Santos tem mais liberdade para descer, tabelar com Mateus Vital e chegar à linha de fundo para cruzar. Ou seja, um lado é para trocar passes e outro para a jogada individual e veloz.

Dadas as características dos jogadores citados à cima, aparentemente faz mais sentido deixar com que Fagner suba com mais frequência. O jogador tem mais técnica, cruza melhor, dribla melhor, chuta melhor, arma melhor o jogo, marca melhor, tem mais preparo físico do que o outro, também veterano e ídolo recente, que joga pela esquerda. Fábio tem boa saída, embora seja mais defensivo que Lucas Piton, seu reserva imediato, que só está no banco devido as qualidades defensivas de Fábio serem maiores.

Se o time não tem um articulador, um criador de jogadas, qual é o enorme problema que impede com que Fagner seja, assim como já foi em 2018 e 2019, um dos articuladores do time? Só a jogada que ele fez no 1º tempo - que resultou na finalização de Vital defendida por Felipe Alves -, mostra que o time melhoraria muito com uma maior liberdade ao lateral titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2018. Libera o homem, Sylvinho. A Fiel tá sofrendo!

3. Substituições

Angelo Araos
Angelo Araos / Miguel Schincariol/Getty Images

Araos entrou em campo com Luan, Marquinhos, Roni e Felipe Augusto. O que cada um conseguiu fazer no jogo? Exatamente o que você pensou: Nada! Nada aconteceu com estes jogadores em campo.

Não acho justo medir a qualidade ou potencial de jogador quando ele entra, no jogo no decorrer da partida, ainda mais com o time atrás no placar. Porém, é no mínimo estranho que o chileno não tenha cativado nenhum treinador, nem dos times em que ele foi emprestado e nem no próprio Corinthians. As oportunidades estão surgindo com Sylvinho, mas é inegável que o jogador não consegue produzir. Será que o garoto Adson vive uma fase tão ruim, ou o meio campista chileno entra em campo por não ser tão ofensivo, casando mais com a ideia de como os meio-campistas devem trabalhar para o atual treinador?

Luan entrou para jogar no lado esquerdo, sem ter o mínimo de velocidade e errando passes que poderiam resultar em uma derrota maior. Marquinhos também sempre entra na posição de Gustavo Silva, fazendo com que se perca a possibilidade de ter um ataque ainda mais veloz, com Marquinhos de um lado e Mosquito de outro, quebrando linhas adversárias e municiando mais o centroavante. Roni entrou só pra compor e Felipe Augusto faltando poucos minutos para acabar, o que poderia até queimar o jovem jogador.

Trocas ruins que não resultaram em nada e que poderiam custar ainda mais caro ao time.

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