Opinião

112 anos de Corinthians: aos meus irmãos de alma, é um prazer ser Timão com vocês

Lucas Humberto
Neste 1 de setembro, uma ode ao Corinthians
Neste 1 de setembro, uma ode ao Corinthians / Shaun Botterill/GettyImages
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Este que vos escreve - prometo que esta será a única formalidade deste texto -, gastou todas as lágrimas possíveis com a carta de Fagner ao The Players' Tribune. Chorei por mim e pelo meu falecido pai, que me deixou cedo demais, mas não sem antes me ensinar o significado espiritual de ser Corinthians. Timão, meu amigo, é escolha de alma.

Quando minha história com a camisa alvinegra começou, lá nos idos de 2007, eu não entendia de onde vinha tanta intensidade. Na vitória, meu pai sorria de uma orelha até a outra. Mas em caso de derrota, o dia terminava ali. Eu, criança, pensava: mas precisa de tanto? Não é só uma partida? A intenção não era divertir os torcedores?

Foram alguns anos até que eu entendesse que não. Não existe meio-termo quando o assunto é Corinthians. Ou a Fiel invade ou Japão ou ela nem aparece. Ou comparecem mais de 30 mil pessoas numa segunda gelada na Neo Química Arena ou ninguém vai. Já ouviu a expressão: "não é tão preto no branco assim"? Meu amigo, o Corinthians é preto e branco.

112 anos de Corinthians
112 anos de Corinthians / Ricardo Moreira/GettyImages

E pra vestir preto e branco é preciso coragem. Se não for pra deixar tudo de si em campo, melhor fugir pra Inglaterra mesmo. Lá eles têm football, aqui nós temos futebol. E eu posso te garantir que são coisas completamente distintas. Em essência, em prática, em paixão, em torcida, em irmandade e principalmente em coração.

Aos meus irmão de alma, é um prazer compartilhar outro 1 de setembro com vocês. Imagina o orgulho de Anselmo Corrêa, Antônio Pereira, Carlos Silva, Joaquim Ambrósio e Raphael Perrone que, às 20h30 dessa mesma data em 1910, iniciavam uma das mais belas e eternas histórias do futebol mundial. Imagina se eles soubessem o quão diferente a Fiel se tornaria...

Eu te amo, Corinthians. Do céu ao inferno, no topo do mundo e nas mais inexplicáveis derrotas. No preto e no branco. Eu te amo porque ser Timão é e talvez sempre será o pertencimento mais importante da minha vida. Eu te amo pra caramba - pra não usar outra palavra que você sabe bem qual é . Agora sem formalidade. Time de maloqueiro e sofredor não precisa disso.

Eu te amo, pai. Te vejo domingo, quando os 11 escolhidos de Vítor Pereira entrarem em campo para enfrentar o Internacional, pelo Brasileirão. E depois na quarta para encarar o São Paulo, desta vez no Morumbi. E de novo no próxima partida. Talvez eu nunca entenda porque você precisou ir embora tão cedo. Mas enquanto houver Corinthians, haverá você. E na maioria das vezes isso me basta.

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